Onde pedir ajuda

Como denunciar violência contra a mulher

Você pode ligar para o 180 e denunciar sem dizer seu nome e sem ter provas. Todos os serviços desta página são públicos e gratuitos. Quase todos funcionam no Brasil inteiro, e o que é só de São Paulo está marcado.

Central de Atendimento à Mulher

Ligue 180 para denunciar ou tirar dúvidas

  • A ligação é gratuita e funciona 24 horas, todos os dias.
  • Você não precisa dizer seu nome.
  • Qualquer pessoa pode ligar: a própria mulher, alguém da família, uma vizinha, um colega de trabalho.
  • A central passa a denúncia para a polícia, para o Ministério Público e para a secretaria da mulher do seu estado.
  • Também explica seus direitos e diz qual serviço atende na sua cidade.
  • Tem atendimento em Libras, por videochamada.

Está fora do Brasil? O 180 não funciona do exterior, mas o WhatsApp funciona. Também dá para escrever para central180@mulheres.gov.br.

Outros lugares onde você pode pedir ajuda

Não existe uma ordem certa. Você pode começar pelo lugar onde se sentir mais segura.

  • Quero fazer boletim de ocorrência e pedir medida protetiva

    Delegacia

    Delegacia da Mulher ou qualquer outra delegacia

    • Em alguns estados, a Delegacia da Mulher se chama DDM. Em outros, DEAM. Se não tiver uma na sua cidade, qualquer delegacia registra o caso.
    • Na hora do boletim, diga que quer medida protetiva. A polícia tem até 48 horas para mandar o pedido ao juiz.
    • Você não precisa de advogado para fazer o pedido.
  • Moro em São Paulo e quero fazer tudo pela internet

    Só em São Paulo

    Delegacia Digital e app SP Mulher Segura

    Boletim de ocorrência pela internet, com pedido de medida protetiva

    • Na Delegacia Digital, faça login, clique em Comunicar Ocorrência e escolha violência doméstica contra a mulher.
    • No app SP Mulher Segura, você entra com a conta gov.br. Dá para fazer o boletim a qualquer hora e pedir medida protetiva.
    • O botão de pânico do app só funciona para quem já tem medida protetiva.
    • Estupro não pode ser registrado pela internet. Nesse caso, vá a uma delegacia.
  • Preciso de advogado e não tenho como pagar

    Defensoria Pública

    Atendimento jurídico de graça

    • Toda mulher que sofre violência doméstica tem direito à Defensoria Pública, na delegacia e na Justiça.
    • A Defensoria pode pedir a medida protetiva por você. Também cuida de separação, guarda dos filhos e pensão.
  • Quero apoio psicológico e social

    CREAS, Centro de Referência da Mulher e Casa da Mulher Brasileira

    Serviços públicos que acompanham você e sua família

    • O CREAS é o serviço de assistência social da prefeitura para quem teve seus direitos violados. Lá tem psicólogo e assistente social para você e sua família. Não é serviço de emergência.
    • O Centro de Referência da Mulher (CRAM) recebe a mulher e dá orientação psicológica, social e jurídica.
    • A Casa da Mulher Brasileira junta num lugar só delegacia, juizado, Defensoria, Ministério Público, psicólogo e abrigo por alguns dias. Ainda existem poucas no país. Pergunte no 180 se tem uma perto de você.
  • A vítima é criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência

    Disque 100

    Ligação gratuita, 24 horas

    • Também atende pelo WhatsApp (61) 99611-0100 e por videochamada em Libras.
  • Não consigo falar em voz alta

    Sinal Vermelho

    Um X desenhado na palma da mão, de preferência em vermelho

    • Mostre o X no balcão de uma farmácia, repartição pública ou empresa que participa do programa. Quem atende é orientado a chamar a polícia ou o serviço de apoio.
    • Nem todo lugar participa.

A gente não recebe denúncias

O Por Elas é um projeto de informação. Se você mandar mensagem no nosso Instagram, ela não chega à polícia nem a nenhum desses serviços. Para pedir ajuda, fale direto com eles.

Medida protetiva

O que acontece depois da denúncia

Estes são os prazos da Lei Maria da Penha. Se o seu pedido demorar mais, procure a Defensoria Pública.

132.025

casos de medida protetiva desrespeitada foram registrados no Brasil em 2025. Se acontecer com você, avise a polícia. Ele pode ser preso.

Fonte: 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (FBSP, 2026)

  1. 1

    Você faz o boletim e pede a medida protetiva

    Pode ser na delegacia, pela internet em São Paulo, na Defensoria Pública ou no Ministério Público. Para pedir a medida, o boletim não é obrigatório.

    Lei Maria da Penha, art. 19, §5º

  2. 2

    O pedido chega ao juiz em até 48 horas

    Esse é o prazo que a polícia tem para mandar o pedido.

    Lei Maria da Penha, art. 12, III

  3. 3

    O juiz tem até 48 horas para decidir

    Ele pode decidir só com o que você contou, sem esperar outras provas. Em cidades que não têm fórum, o delegado pode tirar o agressor de casa na hora e avisar o juiz em até 24 horas.

    Lei Maria da Penha, arts. 18, 19 e 12-C

  4. 4

    A medida vale enquanto houver risco

    Ela não tem data para acabar. O juiz pode mandar o agressor sair de casa e ficar longe de você. Pode proibir que ele te procure, até por mensagem. Pode também proibir que ele tenha ou ande com arma e mandar pagar pensão.

    Lei Maria da Penha, arts. 19, §6º, e 22

  5. 5

    Se ele desobedecer, é crime

    A pena é de 2 a 5 anos de prisão, mais multa. Avise a polícia pelo 190 ou vá à delegacia, mesmo que ele só tenha mandado uma mensagem.

    Lei Maria da Penha, art. 24-A

Dúvidas sobre denúncia e medida protetiva

Preciso fazer boletim de ocorrência para pedir medida protetiva?

Não. Desde 2023, a lei permite pedir a medida sem boletim, sem inquérito e sem processo. O caminho mais comum é a delegacia, mas a Defensoria Pública e o Ministério Público também fazem o pedido.

Lei 14.550/2023

Preciso ter provas?

Para fazer o pedido, não. O juiz pode decidir com base no que você contar. Prints, áudios, fotos, laudos médicos e testemunhas ajudam, mas não são obrigatórios.

Lei Maria da Penha, art. 19, §4º

Preciso de advogado?

Para pedir a medida protetiva, não. Se quiser ajuda no resto do processo, a Defensoria Pública atende de graça.

Lei Maria da Penha, arts. 27 e 28

Dá para denunciar sem me identificar?

Dá, pelo 180 e pelo Disque 100. Eles passam o caso para a polícia e para o Ministério Público. O boletim de ocorrência e a medida protetiva precisam dos dados da mulher.

E se eu me arrepender depois?

Depende do crime. Em alguns casos de violência doméstica, como a agressão física, o processo continua mesmo que a mulher desista. A Defensoria Pública explica como fica no seu caso.

Para quem está perto

Alguém te contou que está sofrendo violência?

O jeito como você reage faz diferença. Se ela se sentir julgada, pode não contar de novo. Você também pode ligar para o 180 e denunciar sem dizer seu nome.

O que fazer

  • Acredite nela e diga isso
  • Pergunte do que ela precisa antes de fazer qualquer coisa
  • Combinem um jeito seguro de conversar. Ele pode estar lendo o celular dela
  • Ofereça ir junto à delegacia, à Defensoria ou ao CREAS
  • Se ela mandar prints ou áudios, guarde num lugar que só você acessa
  • Respeite o tempo dela. Sair de uma relação assim costuma demorar

O que evitar

  • Tirar satisfação com o agressor. Ele pode descontar nela
  • Contar para outras pessoas ou comentar em grupo e rede social
  • Perguntar por que ela não vai embora
  • Decidir por ela. A exceção é quando a vida dela está em perigo: aí, ligue 190

Como se preparar para sair de casa com segurança

Você não precisa fazer tudo de uma vez. Cada coisa que ficar pronta antes é uma preocupação a menos no dia de sair.

  1. 1Deixe cópia dos seus documentos com alguém de confiança ou num e-mail que só você acessa. Vale para RG, CPF, certidão dos filhos, cartão do SUS e carteira de trabalho.
  2. 2Guarde no mesmo lugar prints, áudios, fotos de machucados e laudos médicos.
  3. 3Combine com alguém próximo uma palavra ou um emoji que queira dizer “preciso de ajuda agora”.
  4. 4Anote num papel os telefones importantes. Se ele quebrar ou pegar seu celular, você ainda tem os números.
  5. 5Se der, deixe uma bolsa pronta com remédios, carregador, um pouco de dinheiro e roupa para você e seus filhos.
  6. 6Pense antes para onde você vai. O 180 informa se tem casa-abrigo ou Casa da Mulher Brasileira perto de você.

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